Inteligência emocional: como usar o filme Divertida Mente em sala de aula

Você já observou seus alunos e imaginou o que se passa em suas cabecinhas, seus medos e perspectivas para o futuro? Prepará-los para enfrentar os desafios da vida vai muito além de lecionar e transmitir conteúdos.

Desde 1993 as crianças da Dinamarca têm aulas obrigatórias de empatia, que desestimulam a competição e são recheadas por três matérias da disciplina: empatia afetiva, cognitiva e reguladora de emoções. Especialistas apontam que o processo de entendimento e manejo das emoções são fatores importantes de proteção à saúde mental e ao bullying.

Os educadores brasileiros já começaram a trabalhar as competências socioemocionais que, além de favorecer a vida escolar, são fundamentais para a vida. As novas diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) trazem as competências socioemocionais em todas as 10 competências gerais.

O Blog Aprender Brincando conversou com a psicóloga Rebecca Domitilla sobre como trabalhar a inteligência emocional em sala de aula usando o filme Divertida Mente como suporte. O universo das emoções é o foco do filme, que retrata em seus personagens os sentimentos de alegria, tristeza, raiva, medo e nojo. É um filme cativante que mostra de um jeito lúdico como as emoções convivem na cabeça de uma menina de 11 anos, a personagem Riley.

Rebecca é facilitadora licenciada do programa australiano "Friends for Life" e fundadora do Programa AlegreMente, voltado para o treinamento de habilidades sociais e resiliência para crianças, adolescentes e adultos. O programa é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) por desenvolver a inteligência emocional.

Entenda o que é inteligência emocional

Segundo o jornal The New York Times dezenas de estudos comprovam que as emoções podem melhorar ou prejudicar a capacidade de aprender. Isso explica por que quando alguém está muito ansioso tem mais dificuldade para se concentrar, pois os sentimentos afetam a atenção e a memória.

Acompanhando vários casos, psicólogos e educadores perceberam que as chamadas habilidades não cognitivas, como autocontrole e resiliência, podem determinar a trajetória de vida de uma pessoa. O mercado de trabalho tem valorizado a inteligência emocional tanto quanto as aptidões técnicas e intelectuais.

Uma matéria da revista Exame destaca que os profissionais com alto Quociente de Inteligência (QI) começaram a perder lugar para os profissionais com maior Quociente Emocional (QE). Foi aí que as escolas perceberam que era preciso dar mais atenção aos sentimentos.

Divertida Mente

A recomendação é que os professores assistam ao filme Divertida Mente em sala de aula e depois criem um debate com as crianças sobre a inteligência emocional. O papel do educador é explorar as emoções, identificá-las no cotidiano da criança e mostrar o quanto cada uma é importante. Assista ao trailer:
 


Vale ressaltar que, quando as emoções estão desequilibradas, tudo fica desproporcional e pode fazer mal. É importante que as crianças entendam que é normal se sentir triste às vezes, sentir um pouco de medo e até certo nojinho de algumas coisas, porém nenhum desses sentimentos pode ser constante e desproporcional.

A faixa etária ideal para essa atividade é a partir dos sete anos e o professor não precisa se preocupar em aprofundar sobre os sentimentos. Divertida Mente personifica as emoções, com isso fica mais fácil entender a função e importância de cada uma delas, inclusive as denominadas como negativas.

A alegria retrata o que nos faz bem, o oposto da tristeza. Já o "nojinho" tem função tanto biológica quanto social, para nos proteger de comer algum alimento estragado, por exemplo. A raiva é um sentimento que constata injustiças e a função do medo é garantir a segurança e nos manter em proteção.

Ter inteligência emocional significa vivenciar todas as emoções e não reprimi-las, afinal, elas servem para nos ensinar algo. Os educadores podem orientar que as crianças identifiquem seus sentimentos, o que podem aprender com eles e como transformá-los.

O Portal Lunetas oferece conteúdos para explorar os múltiplos olhares sobre as múltiplas infâncias do Brasil através de pesquisas e artigos riquíssimos. Selecionamos os mais indicados para trabalhar as emoções em sala de aula:
 

Para finalizar, queremos te apresentar o livro encantador Julião, Tico e o Balão, que está disponível no Contador de Histórias da PlayTable e fala sobre um garoto de quatro anos, suas aventuras para conhecer o mundo e os sentimentos comuns desta idade. 
 


(Reprodução)


Como você trabalha a inteligência emocional com os seus alunos? Compartilhe conosco as mudanças que você percebeu nos pequenos!

(Crédito da imagem do topo: Disney Entertainment)

Cristiano Sieves

Especialista em Ludopedagogia

Especialista em Ludopedagogia para Educação Infantil e anos iniciais e autor de livros infantis, tem mais de 10 anos de experiência desenvolvendo jogos e games na área de Educação. Atualmente é Gerente de Marketing e Produtos na Playmove.