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30 jun

Brincadeira livre e ludopedagogia: como definir o tempo de cada uma

Fundamentos da ludopedagogia Brincadeira livre e ludopedagogia: como definir o tempo de cada uma

No post anterior falamos sobre o brincar livre e os seus benefícios para as crianças. Hoje, vamos falar sobre as diferenças entre a brincadeira livre e com intencionalidade, que também podemos chamar de ludopedagogia. O ato de brincar faz com que o organismo infantil libere substâncias que aumentam a resistência física, fortalecem sistema imunológico e até melhoram a memória. Por isso, a brincadeira livre é essencial para o desenvolvimento infantil, assim como a ludopedagogia, que pode ser usada para potencializar ainda mais as vantagens de brincar.

Como estimular a brincadeira livre no ambiente escolar

Muitas vezes, a escola se preocupa tanto com o desenvolvimento pedagógico dos alunos que acaba deixando de lado as atividades de brincadeira livre, impedindo a criança de vivenciar novas experiências. Antigamente, as famílias eram maiores e a brincadeira livre era muito comum no ambiente doméstico. Com a queda na taxa de natalidade, as crianças ficaram mais sozinhas e o brincar livre ficou mais solitário e em alguns casos, até perigoso. Por isso, é fundamental que a escola estimule a brincadeira livre, para que as crianças liberem a energia, interajam entre si e vivenciem situações novas.

Entenda a brincadeira com intencionalidade

A brincadeira com intencionalidade é um meio de ensinar assuntos específicos de uma maneira mais divertida, enquanto a brincadeira livre, como o próprio nome já diz, tem o propósito de dar liberdade para as crianças sem se preocupar com questões pedagógicas. A brincadeira com intencionalidade propõe desafios concretos para desenvolver habilidades e competências que serão importantes por toda a vida. Além de atender aos critérios curriculares, a brincadeira com intencionalidade procura desenvolver aspectos cognitivos, motores, emocionais e sociais. São desafios que ajudam a tornar os pequenos mais comunicativos, concentrados, observadores, curiosos e comprometidos.

Conheça ferramentas para dar suporte à brincadeira

1) Mesa digital

A mesa digital Playtable é uma ferramenta ludopedagógica, com jogos e aplicativos focados no desenvolvimento infantil e que, por isso propõe uma  brincadeira com intencionalidade. Por meio dela,  as crianças resolvem desafios, aprendem conteúdos ligados à língua portuguesa, matemática, ciências, artes, história, entre outros. Os aplicativos desenvolvem tanto as habilidades cognitivas, como o raciocínio lógico, a memorização, a atenção, a criatividade, a resolução de problemas, a paciência e as linguagens de expressão. A mesa digital também está preparada para momentos de brincadeira livre, com aplicativos de artes para desenhos ou pintura. Além disso, promove a inclusão de verdade, sem adaptações, já que é acessível a crianças com autismo, síndrome de Down, transtornos de aprendizagem, deficientes motores, entre outros.

2) Braille Bricks
O projeto Braille Bricks transforma blocos de construção num alfabeto Braille e é um exemplo que pode ser usado tanto para a brincadeira livre, como pode ter a função de ferramenta ludopedagógica. Os blocos de montar auxiliam na alfabetização e aprendizado dos cegos, além de promover a integração entre as crianças. Atualmente, o Braille Bricks está disponível para cerca de 300 crianças, muitas da Fundação Dorina Nowill para Cegos. A professora Camila D. Ferreira, que perdeu a visão há três anos e hoje atua no ensino regular e inclusivo, salienta que com o Braille Bricks as crianças com deficiência têm mais chances de alcançar seus objetivos. Mas, as crianças também têm a liberdade de usar as peças para criar o que desejarem, de forma livre e espontânea.

3) ThingMaker

Uma máquina de fazer brinquedos também pode ser uma ferramenta ludopedagógica, já que a criança irá aprender algo em cada etapa do desenvolvimento do produto. Essa é a proposta da ThingMaker, uma impressora 3D, que deve chegar às lojas norte-americanas no próximo semestre. A novidade atende a solicitação da inglesa Rebecca Atkinso, que criou a campanha #ToyLikeMe, pedindo aos fabricantes para criarem brinquedos inclusivos, como bonecos cadeirantes. A ThingMaker é uma solução para isso, pois cada um constrói os brinquedos que quiser, desenvolvendo diversas habilidades criativas. É mais um exemplo que pode ficar à disposição das crianças para a brincadeira livre ou para a solução de desafios.

O papel dos professores é proporcionar momentos de brincadeira, seja ela livre ou com intencionalidade, pois é a linguagem universal das crianças e assim elas serão felizes. Para os pais e familiares é proporcionar vários momentos de diversão, equilibrando a brincadeira livre, jogos em família, games, cinema, passeios, entre outros, sempre respeitando a ritmo da criança.  Quando os pequenos têm uma programação muito intensa, cheia de atividades e responsabilidades, eles se sentem mais pressionados, cansados e até perdem o ânimo para a brincadeira livre, limitando o seu desenvolvimento. Segundo a psicóloga Fernanda Fúria, estudiosos norte-americanos já estão analisando se o aumento de transtornos emocionais na infância e adolescência está ligado à diminuição do tempo da brincadeira livre e o aumento de afazeres.

Neste post, destacamos a necessidade de equilibrar o tempo entre a brincadeira livre e a com intencionalidade, pois ambas contribuem de diferentes formas para o desenvolvimento e formação infantil. Nosso próximo tema será como fugir da influência da publicidade infantil na hora de escolher um brinquedo. Continue acompanhando!

 

Crédito da Imagem: Shutterstock

 

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