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14 set

Aplicativo auxilia crianças com dislexia a usarem a internet

Tecnologias ludopedagógicas

Quem, hoje em dia, não navega pela internet? Lê jornal, blogs, assiste a vídeos online, usa as redes sociais para compartilhar momentos ou fotos e faz da internet sua maior fonte de pesquisa? Para as pessoas com dislexia a navegação na internet, assim como a leitura de um livro, não é tão simples assim. São muitas informações, letras, tamanhos e cores, que dificultam ainda mais o entendimento para quem tem o transtorno de aprendizagem.

Por isso, o Departamento de Ciências da Computação da Universidade Federal de Lavras (UFLA), em Minas Gerais, desenvolveu um aplicativo para auxiliar a leitura e a navegação na web de pessoas com dislexia. O “WebHelpDyslexia”, que pode ser baixado gratuitamente na internet, permite que o disléxico faça as alterações necessárias – de cor, espaçamento entre linhas, tamanho de fonte – para visualizar e entender melhor o que está lendo. Além de personalizar a página, o usuário pode ter partes do texto realçadas, por meio da “régua de leitura”, o que evita a distração, usar o marcador de texto e um dicionário de sinônimos para palavras difíceis.

Esse tipo de tecnologia permite maior integração dos pequenos no contato com softwares ludopedagógicos disponíveis na rede mundial, e deve ser considerado em momento em que a internet for usada como ferramenta didática.

Sobre o transtorno

A dislexia é um transtorno de aprendizagem caracterizado por um baixo desempenho na capacidade de ler e escrever, que afeta de 10% a 15% da população mundial. A estimativa é que 4% dos brasileiros tenham esse transtorno, o que, segundo o Censo de 2010, abrangeria 7,8 milhões de pessoas.

A especialista em neuropsicologia, Valéria Borges Ribeiro, afirmou em entrevista ao telejornal EPTV, que a iniciativa do aplicativo favorece o incentivo à leitura e à escrita. “É comum acontecer o desinteresse. Se a criança perceber que diante de um mecanismo ela possa vir a ser ajudada, o interesse pela leitura e pela capacidade em aprender seria com certeza maior e bem melhor aproveitado por aquela pessoa.”

O aplicativo venceu o terceiro prêmio nacional de acessibilidade na web, na categoria tecnologias assistivas/aplicativos demorou um ano e meio para ficar pronto.

7 sinais de alerta da dislexia

A dislexia é uma condição genética, que se manifesta principalmente na fase alfabetização. Os principais sinais do transtorno estão associados à leitura e à escrita. As pessoas com dislexia, geralmente, trocam letras durante a leitura, erram o ritmo e a intonação das palavras, apresentam dificuldade em compreender textos e invertem as letras e as sílabas.

Nem toda dificuldade de aprendizagem está relacionada à dislexia. Pais e educadores precisam prestar atenção aos sinais das crianças para depois realizarem o diagnóstico. Confira sete desses sinais, apresentados pelo neuropediatra, Miguel Pires Jr., e pela pesquisadora e neuropsicóloga do Núcleo de Atendimento Infantil Interdisciplinar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Carolina Toledo Piza:

  • Leitura lenta e pouco fluente: Crianças com dislexia costumam demorar mais para ler do que aquelas sem o distúrbio. Isso porque elas têm dificuldade em identificar palavras e associá-las a seus sentidos. Sua leitura em voz alta costuma ser menos fluente do que a das outras crianças da mesma idade escolar.
  • Erros ortográficos: A dislexia prejudica a consciência fonográfica, ou seja, a habilidade de diferenciar sons parecidos. Para os disléxicos, letras com pronúncias semelhantes, como V e F ou B e D, costumam ser trocadas na escrita. Crianças com dislexia também têm dificuldade de memorizar regras de ortografia e até de juntar duas letras para formar uma sílaba simples.
  • Demora na construção de frases: Pela dificuldade de formar palavras e atribuir significados a elas, os portadores do distúrbio costumam apresentar lentidão para construir frases. Muitas vezes, as sentenças têm sentido, mas são gramaticalmente incorretas, como “eu era com sono”.
  • Dificuldade em seguir ordens longas: A memória operacional é conhecida popularmente como memória de curto prazo. É ela que acessamos ao anotar um número de telefone antes de esquecê-lo ou ao realizar operações matemáticas. A dislexia afeta essa memória. Por isso, ordens longas – como abrir um determinado livro em uma determinada página e fazer um determinado exercício – são desafios para os disléxicos.
  • Escrita espelhada: Escrever palavras de trás para a frente, como se o texto tivesse sido colocado diante de um espelho, pode ser um sinal do distúrbio.
  • Falta de concentração: Disléxicos podem ter problemas de se concentrar em atividades que exijam atenção, como quebra-cabeças e jogos dos sete erros. O déficit de atenção se manifesta também na escola, durante as aulas.
  • Dificuldade com noções de tempo e espaço: Crianças disléxicas demoram mais do que as outras para adquirir noções temporais e espaciais, assim como a dominância de lados e os conceitos de direita e esquerda. Elas podem confundir “ontem e hoje” ou “acima e abaixo”.

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